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sábado, 11 de abril de 2026

Seminário sobre órgãos de Inteligência com líderes da esquerda cria marco divisor entre  SNI e ABIN

Paula Schenberg e Jonathas Bueno

Mídia Sem Fronteiras e AGNOT3M – 110426 – PE/JB: Promovido pelo INTELIS, sindicato dos servidores da ABIN, ex-SNI e com o apoio da UNIPOP,  Universidade Popular, o Seminário Estratégico de Inteligência de Estado na Democracia realizado para avaliar o histórico dos serviços de inteligência e propor alternativas para uma atividade de inteligência voltada sua atuação para o Estado Democrático de Direito começou a ter resultados práticos e positivos. Assim foram os comentários nas redes sociais com elogios a ação dos servidores da ABIN que dirigem a associação em sua grande maioria, e algumas criticas de militantes da extrema direita como era de se esperar, principalmente militares da reserva conforme se ver nas redes sociais.

As principais criticas se deram não a ação da entidade que promoveu o evento nem ao conteúdo discutido, mas aos quatro palestrantes convidados que proferiram as palestras que foram os ex-ministros José Dirceu e Ricardo Berzoini, o ex-deputado José Genuíno e o ex-vereador e ex-Secretário de Estado Acilino Ribeiro. Os quatro são conhecidos líderes e dirigentes históricos da esquerda brasileira, sendo Acilino Ribeiro secretário nacional do PSB enquanto Dirceu, Genuíno e Berzoini são ex-presidentes nacionais do PT respevtivamente.

Nas referidas palestras o ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu defendeu uma nova política de inteligência voltada para a defesa e a segurança nacional, democratizada e com orçamento condizente com as necessidades e demandas do órgão, além de defender uma nova doutrina de inteligência e defesa com a mudança do currículo e ementas das disciplinas das respectivas áreas, militar e civil de Inteligência. José Genuíno defendeu uma nova ABIN que não busque inimigos internos, pois considera isso uma herança maldita do passado militar do Brasil durante a ditadura e cobrou uma participação maior da sociedade e transparência nas ações, embora preservando seu caráter secreto, mas com total controle externo, e lembrou dos avanços como a questão do concurso público que precisa ser aperfeiçoado. Ele também pediu que o governo brasileiro denuncie o acordo militar que cedeu a base de Alcantara no Maranhão aos EUA e que a ABIN colabore mostrando relatório que justifiquem essa ação. Ricardo Berzoini lembrou as ações do ex-SNI durante a redemocratização quando foi presidente do sindicato dos bancários do Estado de São Paulo e o envolvimento de empresários no financiamento de ações dos órgão de repressão durante a ditadura. Acilino Ribeiro também fez duras criticas as ações do antigo SNI que o vigiou por muitos anos e sugeriu dentro outros pontos ações acadêmicas como a criação da disciplina de Inteligência e Contrainteligência nos cursos universitários de Ciência Política, Relações Internacionais, História e outros, além de cursos de Pós Graduação na área para a formação de quadros nessa área; rompimento total dos acordos de cooperação entre a ABIN e a CIA e também com o MOSSAD a quem acusou de estarem agindo no congresso nacional para asfixiar a ABIN através do orçamento da ABIN que  é de apenas a 93 milhões anual o que equivale a 7,5 aproximadamente por mês. E pediu que parlamentares de esquerda participem da CCAI, Comissão Mista de Controle de  Atividades de Inteligência do Congresso Nacional e uma maior aproximação entre os serviços de Inteligência do Brasil e os países dos BRICS.

PERFIS:

Os quatro palestrantes marcaram seus nomes na história política brasileira por suas ações contra o Regime Militar que governou o Brasil de 1964 a 1985. Três deles, Dirceu, Genuíno e Acilino foram guerrilheiros que pegaram em armas para enfrentar a ditadura, enquanto Berzoini liderou grandes greves, passeatas e manifestações no final do regime e foi um dos maiores líderes sindicais do país. Todos foram perseguidos e presos. Nos arquivos do ex-SNI, DOPS, CENIMAR (Marinha), CIE, (Exercito) e CISA, (Aeronáutica) liberados através de Habeas Datas e da LAI, apesar de não apresentarem provas, os órgãos de repressão da época afirmam que José Dirceu foi treinado pelo Serviço Secreto cubano em guerrilha e espionagem tendo inclusive feito plástica para mudar a fisionomia do rosto e vivido clandestinamente no Brasil durante vários anos como um dos mais “perigosos agentes da luta armada e do comunismo internacional” e militado no MOLIPO – Movimento de Libertação Popular e no COLINA, Comando de Libertação nacional; José Genuíno, segundo os arquivos do ex-SNI e demais órgão de repressão foi preso no Araguaia por ser um dos comandantes da guerrilha e teria sido treinado pelos órgãos de inteligência da China e da Albânia, e seria um dos homens da área estratégica da guerrilha desenvolvida pelo PCdoB na região norte do Brasil para fazer a revolução. Acilino Ribeiro, conforme arquivos dos órgão de repressão do regime militar era “um perigoso elemento do terrorismo internacional”, treinado pelos serviços secretos da Libia e pela FPLP – Frente Popular de Libertação da Palestina - da qual, segundo os arquivos do ex-SNI teria sido um dos agentes internacionais, além de ter atuado clandestinamente por anos com o KGB soviético e a STASI da Alemanha comunista Foi segurança do coronel Muammar Kadafy, da Libia, e ex-chefe da Contrainteligência da Internacional Revolucionária com sede no Oriente Médio que congregava diversos movimentos guerrilheiros do mundo. No Brasil Acilino atuou no PCB – Partido Comunista Brasileiro e posteriormente foi para o MR8 – Movimento Revolucionário 8 de Outubro. Já Ricardo Berzoini apesar de não constar nos arquivos da repressão como guerrilheiro e atuante na luta armada foi vigiado e perseguido por ser um dos maiores líderes sindicais do país e liderados as principais greves e jornadas de luta que culminaram com o fim do regime militar. Todos foram anistiados e voltaram a atuar legalmente e de forma institucional. Berzoini inclusive foi o Chefe da ABIN quando o órgão era subordinado a ele quando ministro do governo Dilma Rousseff. Os dossiês da repressão politica militar sobre os quatro chama atenção por terem atuados, Dirceu, Genuino e Acilino, clandestinamente na área de Inteligência da guerrilha e Berzoini por ter exercido poder sobre a ABIN a nível institucional.

Os quatro conferencistas, Dirceu, Genuino, Berzoini e Acilino, em pesquisas academicas recente, mais os ex-guerrilheiros Carlos Fico, João Quartin de Moraes, Daniel Aarão Reis Filho e Aluizio Palmar que tambem podem vir a ser convidados para eventos dessa nastureza, dentre alguns outros militantes históricos da esquerda armada no Brasil durante os anos de chumbo, são considerados os melhores quadros da esquerda na área de Inteligência no país. Todos tem livros e/ou artigos publicados sobre o tema que agora são lidos pela nova geração da ABIN que passou nos concuros da Agência Brasileira de Inteligência a partir da redemocratização e com o fóruns e a realização de seminários buscam divulgar essa vasta bibliografia desses autores sobre o tema que até bem pouco tempo era restrita a circulos militares e da comunidades de segurança.

FUTURO DA INTELIGÊNCIA

Para os servidores da ABIN, congregados pelo INTELIS, que não se manifestaram para imprensa, mas segundo participantes do evento, declararam-se satisfeito com os resultados e que "só pela realização do evento já quebraram paradigmas e avançaram num projeto de democratização da atividade, assim como começa a se construir um processo de democratização do órgão e da atividade em sí".

Comentários nas redes sociais de esquerda e declarações de professores e alunos da UnB e da PUC DF já existem grupos que desejam articular-se com o INTELIS e a UNIPOP para a realização de seminários semelhantes nas respectivas universidades sobre o mesmo tema abordado.

Segundo informações colhidas ao termino do Seminário este ano ainda se realizarão mais dois fóruns que o INTELIS e a UNIPOP desejam realizar sobre o assunto, um nas universidades para professores e estudantes e outro com os movimentos sociais e sindicais com os respectivos militantess e organizações populares. A diretoria do INTELIS anunciou durante o seminário a realização de outros eventos semelhantes em parceria com a sociedade civil, buscando democratizar a atividade e o órgão.  

Mídia Sem Fronteiras e AGNOT3M – 110426 – PE/JB:




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